Uma parede pintada de fresco,
recentemente construída
e decorada.
Contudo, os quadros estão tortos
e os pregos ferrugentos,
que penetram na parede de gesso frágil,
mal os seguram.
Um simples fechar de porta mais abrupto
é o suficiente para fazer tremer essas paredes,
frágeis e recentes.
Cai um quadro no soalho de azulejo envelhecido.
A brutalidade com que o vértice do quadro embate no azulejo
é suficiente para o rachar
e estilhaçar o vidro do quadro.
Após a sua violenta saída,
olho-me ao espelho,
com vergonha e agrado.
Uma revolução neste lar prematuro e frágil,
sem capacidade de adaptação.
Desfaz-se em estilhaços,
este espelho que olho.
Um sinal de fracasso?
Talvez.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
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